segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O desabafo do Edu Falaschi e o Metal Nacional

Programa Especial Rock Express - Edu Falaschi

Porra, acabei de assistir o desabafo do Edu Falaschi, deixei pra ver só agora porque queria aproveitar o momento que eu tivesse disposição pra escrever aqui a respeito, afinal a repercussão que teve dava noção da importância desse vídeo... não gostei da comparação que ele fez logo no começo, falando em chupar, exagerou demais nessa, errou... mas no geral, tudo que ele disse, de cabeça quente, então vamos relevar... porra, o cara ta com toda razão, em tudo que disse. E ninguém pode tirar a razão do cara.

É frustrante o público dos shows de bandas nacionais. Semana passada eu fui no show do Krisiun aqui em Campinas, e fiquei assustado com o público. Tudo bem que o estilo não é dos mais populares, mesmo no Metal, mas porra, não tinha 200 pessoas. Contando o pessoal que vem da região, um show desse deveria ter no mínimo 500 pessoas.

Mas não posso criticar quem não foi no Krisiun na terça-feira, porque no sábado anterior teve show do Soulspell, e no domingo do Almah, no Sebastian Bar aqui em Campinas, e eu não fui. Mas agora vem um argumento... eu não fui porque não queria, ou por pouco caso... não fui porque não dava. Foram 3 shows muito bons de bandas nacionais aqui em Campinas, em menos de 1 semana. Os ingressos não estavam caros, entre 20 e 30 reais. Mas pra ver as 3, com cerveja e outros gastos, eu gastaria mais de 100 reais. Por mais que eu quisesse, não dava. Não tinha grana pra isso. Fui no Krisiun.

Uma coisa que, eu entendo que é difícil pros caras que vivem disso, mas show de banda grande tem gente do Brasil inteiro. Esse ano no Ozzy, vi um pessoal com uma bandeira estranha, fui perguntar e eles eram do Pará, se não me engano. Vieram do Pará pra ver o Ozzy em São Paulo. Também conversei com um cara de uma excursão de Curitiba. Mesmo assim, só tinha 40 mil pessoas no Ozzy em São Paulo, e só de Campinas foram alguns ônibus, entre os muitos ônibus do Estado de São Paulo inteiro, além de vans e carros...

Grandes bandas lotam estádios em São Paulo, mas com público do Brasil inteiro. Só vai quem é fã da banda, que não perde mesmo. Eu já perdi muito show que queria ver em São Paulo, por falta de grana. Ingresso, viagem... esse ano teve muito show. Muito poucos tem dinheiro pra ingresso e viagem pra ver todas as bandas que gostaria de ver. Mas sempre tem aquelas bandas que a gente faz um esforço extraordinário pra não perder. Eu não perco show do Iron Maiden, mas perdi do Manowar, e queria muito ter ido. Na única vez que fui no Judas Priest, em 2009, no 2º show, no domingo, o Credicard Hall estava vazio, mas sei que não era por falta de interesse. Mesmo assim fiquei chocado, Judas Priest não entupir o Credicard Hall, mesmo sendo 2 shows.

Infelizmente, a gente não faz sacrifício pra ver banda nacional. Mas também tem explicação... pra começar, as bandas estrangeiras que vem tocar no Brasil estão entre as melhores do mundo. Ninguém arrisca trazer banda mediana pra tocar aqui. São bandas com muitos fãs, que não perdem a oportunidade de ver os caras ao vivo. Oportunidades raras, as bandas que vem ao Brasil com mais frequência, vem a cada 2 anos, e fazem no máximo uma meia dúzia de shows no Brasil inteiro. Os fãs aguardam e fazem todo esforço pra aproveitar. Não dá pra perder, as vezes é perigoso ser a última chance de ver os caras. O Edu citou o Guns 'n' Roses Cover... pode ser só o Axl, mas muita gente faz questão, pode ser a única chance na vida de ver o Axl ao vivo, por mais ridículo que seja o show. Eu dispenso, ficaria deprimido vendo aquilo... mesmo sendo fã do Axl.

Banda nacional a gente não faz tanto esforço, o que é natural. É daqui, é normal os caras fazerem muitos shows todo ano no Brasil inteiro. Shows pra poucas pessoas. Quase ninguém viaja 300 km no Estado de São Paulo pra ver o Angra, afinal os caras tocam no Estado inteiro. As bandas de Metal nacional vão até o público no interior, no Brasil inteiro. Grandes bandas estrangeiras não, atraem público do Brasil inteiro para alguns poucos shows. Fui no show do Angra aqui em Campinas em 2010, gastei 20 ou 30 reais no ingresso. Mas se fosse em São Paulo, gastaria mais que isso na viagem.

Metal não é música brasileira, nem americana, nem inglesa... é música mundial. Público de banda mundial não é nacional, é mundial. É uma estupidez os músicos de Metal nacional acharem que um dia vão viver do dinheiro que ganham com música aqui no Brasil. O único país do mundo onde o mercado pode sustentar suas bandas é nos Estados Unidos. Sustentar, e olha lá... nem o Savatage aguentou, tomaram tanto prejuízo que encerraram a banda e hoje ganham dinheiro tocando músicas de natal com o Trans-Siberian Orchestra.

Iron Maiden lota estádios em todos os seus shows no Brasil. Mas imagine se o Iron Maiden dependesse do dinheiro que ganham no Brasil? Estariam quebrados... imagine se os caras do Iron Maiden tivessem nascido no Brasil, montado uma banda aqui, lançado o disco de estréia em 1980, com todas as limitações de recursos da época... fazendo shows no Brasil, eles nunca teriam dinheiro pra decolar e estourar no mundo inteiro. Vamos ser realistas... conhecimentos básicos de geografia, olha o mapa da Europa, densidade demográfica, compara com o Brasil, Estados Unidos, compara a cultura...

O Angra teria se tornado uma das maiores bandas do mundo, se nos anos 90, os caras da formação original tivessem ido embora pra Europa, pra morar lá, e fazer turnês na Europa. No Brasil, esquece, é financeiramente insustentável, por questões culturais e demográficas. Músico que quiser ganhar dinheiro no Brasil, vai tocar sertanejo, pagode, samba, axé... ganhar dinheiro com Metal no Brasil é ilusão. Quem quiser viver de tocar Metal, faça as malas, o mercado é mundial. Nem as bandas da Europa vivem do seu mercado nacional. Nenhuma banda de Metal é grande se não tocar no mundo inteiro. É questão de matemática.

E não adianta tocar na Europa e não impressionar. Banda nacional que tocar na Itália e não impressionar os italianos, que não chegar lá e atrair mais público que o Rhapsody, pode esquecer que nunca vai ter mais público que o Rhapsody no Brasil. Música a gente gosta pelo ouvido, não pelo patriotismo. Iron Maiden é um fenômeno mundial, mas não é pop na Inglaterra. Certa vez li um comentário do Bruce Dickinson, dizendo que provavelmente o vizinho dele não sabe quem é ele.

Porra, Metal não é música Pop. Se algum músico de Metal está desanimado, vai pesquisar a vida dos maiores gênios da música clássica, que vai servir de consolo. Na época deles não tinha tecnologia pra vender músicas gravadas em discos, nem pra viajar fazendo turnês e ganhando dinheiro. Os caras morriam na miséria. Hoje os grandes músicos e compositores ganham dinheiro com seu trabalho. Mas não basta tocar muito bem, ter uma banda com ótimos músicos e compositores.

Precisa ter marketing sim. Que seja um marketing underground, mas é fundamental. Imagine o peso do Eddie na história do Iron Maiden. É um marketing honesto, sincero, uma coisa que surgiu sem pretensões, mas que se tornou fundamental na história da banda. É imagem, é um ícone do Iron Maiden. O Metal já tem algumas décadas de história, e muitas bandas surgem sem nenhuma originalidade. Não é a toa que as grandes bandas pioneiras não encontram sucessores.

Angra e Helloween foram duas das bandas mais promissoras a alcançar status do nível de um Judas Priest. Mas pra isso precisa manter a formação digna desse status. Judas Priest sem Rob Halford caiu, até o Iron Maiden sentiu a falta do Bruce Dickinson. Helloween tinha tudo pra se tornar uma das 5 melhores bandas da história do Metal, mas com Kai Hansen e Michael Kiske. Sem os dois, continua sendo uma grande banda, mas até hoje não conseguiu ser mais do que a sombra do que foi com sua formação clássica. Seria como Dave Murray e Bruce Dickinson deixando o Iron Maiden em 1985 pra nunca mais voltar... hoje, fariam pequenos shows no Brasil, e os fãs ainda estariam mais interessados nos discos de 20 anos atrás...

Com o Angra aconteceu a mesma coisa. Gosto muito do Edu, como pessoa e como vocalista. Encontrei ele 3 vezes, em shows do Angra e do Heaven 'n' Hell, tive contato só pra tirar fotos, mas deu pra ver que é um puta cara gente boa. Mas sejamos realistas, Andre Matos para o Angra é insubstituível. E o Andre Matos nunca vai fazer tanto sucesso como junto com aqueles caras. Podem ter seus problemas, mas a química dos caras para compor e tocar juntos, é única. Aquela banda que gravou Angels Cry, Holy Land e Fireworks tinha tudo pra ser uma das 10 maiores da história do Metal. Mas não ficando no Brasil. Muito menos se separando. Andre Matos e Kiko Loureiro formam uma parceria que só não é maior que seus egos. Nunca encontrei o Andre Matos, dizem que é metido, mas o Kiko Loureiro se acha uma diva. O que falta de humildade pra esses dois, sobra pro Edu, Rafael, Felipe, Aquiles e Ricardo.

Mas a questão fundamental... não é porque a música foi gravada no Brasil, por brasileiros, que vai soar melhor do que se fosse gravada em qualquer outro lugar. Quando se fala das bandas estrangeiras que lotam os shows no Brasil, falamos das maiores bandas do mundo. Ninguém trás bandas medianas da Europa pra tocar aqui, sabe que dá prejuízo. Até o Blaze Bayley, que gravou ótimos discos solo, como ex-vocalista do Iron Maiden, sofre com o público no Brasil. Já fez show pra 100 pessoas aqui em Campinas. Mas eles vem tocar aqui no Brasil, não dependem do seu público local. Nem poderiam.

Tem muita banda mediana na Europa, que não lotaria show no Brasil... algumas bandas que eu adoro, não teriam público aqui. Porra, meu primeiro show do Primal Fear tinha no máximo 300 pessoas, a maioria de músicos que tocaram no mesmo dia... só quem esteve em São Caetano em 2006 pra acreditar. Uma banda que conheci recentemente, que eu adoraria ver, é o Edenbridge. Mas apesar de ótimos são desconhecidos. Um show deles no Brasil seria prejuízo certo. Falta marketing, o que mais falta no Metal são empresários do nosso meio, gente com a mesma mentalidade do público Metal, que saiba fazer marketing e organizar eventos do nosso jeito. Porra, até os shows do Iron Maiden deixam a desejar em organização, dá pra ver que é gente que não entende o público que está lidando, está apenas fazendo negócios. Precisamos de empresários no Metal que tenham Metal no sangue.

Metal não é música nacional, é música mundial. Temos que valorizar as bandas nacionais, mas os músicos precisam entender que se o seu público é nacional, melhor tocar sertanejo pra ganhar dinheiro. Se a banda não é boa o bastante pra ter fãs e lotar shows na Europa, muito menos no Brasil, onde fazem muitos shows... bandas da Europa que não lotam shows em sua terra, nem vem tocar no Brasil. Pessoal, ninguém consegue ser fã de 50 bandas. É fácil conhecer 50 bandas, mas somos realmente fãs de apenas algumas. Com a tecnologia de hoje, é fácil conhecer bandas do mundo inteiro. Assim como facilita a divulgação, também aumenta a concorrência para conquistar os fãs. Basta entrar no Youtube para conferir o som de qualquer banda do mundo.

Porra, coisas óbvias... nenhum músico faz sucesso sozinho. Por melhor que seja qualquer músico ou vocalista, se não tiver uma banda a altura, esquece. E não adianta uma banda formada por virtuoses, se não forem compositores a altura da habilidade que tem para executar. Tocar e compor não é apenas técnica, é expressão, criatividade, sentimento, talento... não basta esforço e investimento, são qualidades que dão resultados em qualquer escritório, mas música é arte.

O Edu tem toda razão, o público deixa a desejar. Mas criticar não basta, os profissionais são os músicos. É questão de marketing, se o público consumidor não se interessa pelo produto, não adianta reclamar, antes de tudo é preciso tentar entender o que está acontecendo, estudar a situação, fazer o diagnóstico, pra então buscar a solução. Falta marketing, mas marketing honesto, adequado. Alguma coisa está errada. O mundo mudou muito, e não adianta apenas divulgar shows pela internet pra acompanhar isso.

Acho que está faltando união. Estamos nos separando e nos isolando cada vez mais, talvez seja efeito da tecnologia. Sei lá... tenho algumas idéias, mas acho que muita coisa tem que mudar. Isso é óbvio. Porra, se o público não tem interesse em comparecer apenas para admirar a banda, por que não organizar um evento atraente para o público? Algo mais além das bandas? Lugares mais atraentes que uma casa de shows? Bom, eu tenho umas idéias, espero experimentar algumas...


Shaman: baixista desabafa sobre cena brasileira
http://whiplash.net/materias/news_845/141922-shaman.html
Edu Falaschi: desabafo é legítimo e uma cortina de fumaça
http://whiplash.net/materias/opinioes/141880-edufalaschi.html

também escrevi demais quando o Thiago Bianchi desabafou...
Ordem e Progresso do Metal Nacional
http://tocadocoelhovoador.blogspot.com/2010/12/ordem-e-progresso-do-metal-nacional.html

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